segunda-feira, 2 de julho de 2012

Oceano

A vida cobra caro por aqueles momentos em que decidimos ficar parados, imóveis frente a toda essa efervescência indômita. 
E eu só queria fugir, velejar por novos mares. Esquecer e recomeçar. Sem bagagem, sem passado. Desbravar.
Mas, sempre tem "mas" no caminho, preciso de tempo, de dinheiro e de um desprendimento que ainda não alcancei.
Por isso continuo aqui, celebrando esses pequenos momentos em que me esqueço de tudo e o vislumbre de um futuro luzente já me deixa saudoso por tudo aquilo que viverei.

domingo, 1 de julho de 2012

A última nova

Basta olhar a sua última vez aqui presente e a minha última vez por aqui! Quem desalinhou as linhas de nossa história numa mera tentativa de fazê-las convergir ao mesmo ponto? Eu não quero ser como você e você jamais será igual a mim, nem eu consigo ser eu mesmo.
Mas exijo uma explicação.Apenas um motivo era o que gostaria de ouvir. Um único motivo pra ter criado essas barreiras intransponíveis e ainda acreditar que é a esperteza disfarçada de matuto mineiro, sempre comendo quieto e fingindo que não sabe ou que não liga mesmo estando ciente de tudo.
Conheço sua vida de maneiras que talvez nem mesmo você conheça. Sempre te estendi a mão e  lutei por você. E agora o que restou?
Algo próximo do fim ou o fim de fato? De minha parte... Já vivemos o que havia pra ser vivido. Então, é isso! Adeus! Como se fosse simples... Adeus!

terça-feira, 12 de junho de 2012

A balada da contramão


Essa canção é por você
Que já cansou de acreditar
Esteve vivo sem viver
Mas não deixou de escutar
E que assim como eu
Esperou mas correu
Pro dia em que alguém ousasse entrar
Fosse na contramão, na sua estrada sem chão
Descansasse a vista, pra então habitar
Habitar, habitar
Eu vou tentar mais uma vez
Por quem não pode mais tentar
Sair a noite por aí
Com pouca história pra contar
Pra quem assim como eu
Esperou mas correu
Pro dia em que alguém ousasse entrar
Fosse na contramão, na sua estrada sem chão
Descansasse a vista, pra então habitar
Pois assim como eu (pois assim como eu),
Esperou mas correu (esperou mas correu)
Pro dia em que alguém ousasse entrar
Fosse na contramão (fosse na contramão),
Na sua estrada sem chão (sua estrada sem chão)
Descansasse a vista pra então habitar



quinta-feira, 7 de junho de 2012

Minha mente

Ando distante; perdido em devaneios, sonhos e frustrações.
Já não sei mais nada, acho que perdi o caminho e voltar não é mais uma opção.
Sei que distanciar-me não tornará nada mais fácil, mas ao menos me conforta.
Parece uma piada... A vida é uma piada. Uma piada levada às últimas consequências.
Talvez, pode ser que defina. Um grande e vazio "talvez" pode definir. Mas quem aqui busca uma definição quando já não se sabe sequer o que sentir.
Jocoso tempo, arrebata-me! Faz me sentir mais uma vez. Faz me novo.

domingo, 6 de maio de 2012

Ode à cama

E me abraça sem distinção.
Me acolhe a qualquer momento e em seus braços nada mais importa.
Leva me ao nada, ao Japão e à galáxia mais distante que qualquer homem sequer chegou a imaginar existir.
Veste se dos tecidos mais macios e de toque acolhedor.
Perfuma se com a melhor fragrância e me espera todos os dias, a qualquer momento, sem reclamar.
Modificou se de tão modo a me compreender como nem eu mesmo me entendo.
E não adianta resistir, sempre volto pros seus braços, seus abraços.
E quando o Sol nasce e passa a iluminar estes sonhos, chega a hora de partir. A parte mais difícil dos nossos dias.
Fica aquele até logo, assim amargo, recheado de esperança, movido pela certeza que mais cedo ou mais tarde serei todo seu.

terça-feira, 1 de maio de 2012

Na fila do cinema

Em uma conversa trivial, mas como sempre inspiradora, ela disse:
__ É! Eu vim com um defeitinho!
No momento, achei bárbaro. Uma declaração digna de biografia. 
Passaram se alguns dias e volta e meia estava eu pensando nessa frase. E acredito que só agora, enquanto estas palavras vão se agrupando e de alguma forma fazendo sentido, é que posso me arriscar a dizer que entendo.
Entendo a beleza que há em se dizer que sim, eu tenho defeitos, reconheço-os e assim sendo me vejo de uma forma mais humana. Afinal de contas, quem aqui quer mesmo chegar à perfeição? Colocar-se em um altar e ser admirado, intocado e venerado por tal... 
Pois veja, defeitos acabam por negação nos fazendo mover em direção a algo maior. É tentando corrigir nossos erros e trabalhando estas imperfeições que acabamos seguindo em frente. Sendo, de certa forma, desconsiderável seu êxito ou sua derrota nessa jornada.
E é nessa linha que muitos se perdem, justificando seus erros pelo direito de terem defeitos. Mas não é bem assim que as coisas funcionam. Deveriam lutar pelo direito de errar, independentemente do perdão alcançado ou não. 
E talvez seja esse o grito entalado que muitos carregam por aí. Errei e mesmo que você não me perdoe eu seguirei em frente. Reservo-me o direito de falhar e o dever de encarar as consequências das minhas atitudes, dos meus defeitos.
E não venha anunciar aquilo que não se consolidou. Assumir um erro, assumir um defeito e assumir que mudou de nada valem se não encarar de frente as consequências de seus atos.
Eu vim com vários defeitos, mas tenha certeza que, à medida que os percebo, tento mudar. Às vezes consigo e às vezes não. E se não, eu tento de novo, pois não são saborosos os frutos daquilo que desafortunadamente plantamos. 

segunda-feira, 30 de abril de 2012

A próxima estação

"Gostaria muito de estar com você...". E eu do lado de cá esperando aquele divisor de águas onde a verdade começa. Gostaria muito de estar com você, mas...
Não foi bem o que aconteceu.
Receber-te foi a melhor coisa dos últimos dias. Seus passos calculados, seu olhar cansado desdizendo a imensa vontade de estar junto. O papo no sofá e o longo caminho da sala até o quarto.
E, lá, uma cama vazia, um mar de possibilidades. Um colchão de solteiro pra se espremer todo e com os pés entrelaçados cair nos braços um do outro.
Uma noite pra aquecer o mais gélido dos corações, uma manhã desesperada de quem se excedeu e perdeu até os ponteiros do relógio.
Um breve até logo.
E corro pra cama, ainda sinto seu perfume; eis que me pego desesperado pra entrar no mesmo trem que leva até você.