E da boca saiu um cumprimento sofrido, com aquela voz trêmula e a respiração ofegante. Aos poucos, mais relaxados, conseguiram desenvolver um diálogo meio seco. Sabiam que assim que suas bocas se encontrassem seus mundos corriam o risco de acabar.
Pediu um pouco de água. Já sem lugar resolveu amenizar o clima; retirou de sua bolsa um chocolate e o ofereceu. Adoçaram o mundo antes de explodi-lo.
Dois pensamentos que se cruzam e se lapidam, duas forças que se chocam, mas não se machucam.
Horas, minutos e segundos. A eternidade vivida em alguns momentos. A árdua e deliciosa arte de aproveitar o silêncio.
Saem do transe e pelo ralo também escorre todo o pudor que já existira. Continuam suas rotas, aguardando a próxima colisão.
Um trago, um gole e um adeus.
Passando ao lado de uma mãe com sua filha de aproximadamente seis anos, ouvi o seguinte diálogo:
_ Mamãe, cê vai me levar pra tomar gotinha hoje?
_Não, filha!-Disse ela ensaiando uma risada.
_Nós vamos ao Banco do Brasil.
E a filha pergunta:
_Mãe, a gente vai sentar num banco com a bandeira do Brasil?
Um dos verbos mais belos na minha opinião. Há quem diga que voltar é regredir ou que voltar é dar voz ao passado, não concordo. Voltar, pra mim, sempre foi recomeço, reencontro. Voltar, volver...
Lembro-me de cada partida, cada rodoviária, cada vida que se cruzou com a minha por alguns instantes. Todos voltando. Voltando pra suas casas depois de um período distante, voltando pra casa dos pais. Fluindo!
Pensei que não voltaria aqui antes do próximo ano, mas aqui estou. Foi preciso voltar.
Boas vindas às férias!
Pensei em escrever um longo texto cheio de explicações.
Mas não.
Dois anos e meio aqui, escrevendo pra tentar me entender...
Não foi o suficiente (Ainda bem!).
Bom fim de ano a todos. Boas festas.
Obrigado pela companhia dos visíveis e dos tímidos.
Espero voltar, no próximo ano, cheio de palavras, de frases e pensamentos.
Abraço
Já assisti a muitos seriados, filmes e afins... Mas nada nunca me marcou tanto como Six feet under, traduzida para “A sete palmos” no Brasil. O seriado foi exibido entre 2001 e 2005 e ganhou vários prêmios, desde elenco a melhor fotografia, direção de arte e outros.
Nas férias do início deste ano um grande amigo me emprestou as duas primeiras temporadas que assisti em poucos dias. Daí em diante não parei, algumas falhas na terceira e quarta temporadas me desanimaram, mas não poderia deixar todas aquelas vidas, que cruzaram a minha, sem um fim.
Afirmo com toda propriedade que de todas as formas de arte que já consumi, esta foi sem dúvida a única que me fez mudar de atitude, foi um seriado que mudou minha concepção da existência, do meu modo de viver mesmo. A princípio, poderás achar antagônico, afinal, o seriado mostra a rotina de uma família dona de uma funerária; a morte, a dor e várias outras questões muito à frente do tempo em que a série foi exibida foram discutidas com maestria em uma estética, quase na sua totalidade, sombria e com toques de um humor ácido característicos do trabalho de Alan Ball.
Enfim, só resolvi jogar uma fagulha em vocês. Recomendar uma experiência profunda pela vida através da morte. A quinta e última temporada é um espetáculo a parte, não vou detalhar senão surgirão muitos spoillers, mas o que adianto é que seis meses depois de ter terminado de assisti-la, já revi o season finale mais de oito vezes e em todas me emociono descontroladamente. Assim como me encontro agora, ao ouvir Breathe-me, da Sia, música que encerra o seriado e esse post.
Salve-se quem puder! É isso que eu ouço nesse momento, um grito alto e desesperado. É muito fácil se trancar em seu mundo e buscar rotinas seguras; por mais desorganizadas que sejam serão sempre rotinas. O caos que eu digo é esse que experimentamos no mundo lá fora, onde desconhecemos as pessoas, seus pensamentos e aquilo que escondem por debaixo de rostos que se fecham de tanto medo.
E basta dar dois passos fora do caminho que você sempre faz pra chegar no trabalho pela manhã... Pode parecer pouco, mas é um começo. E quando você perceber estará em meio a um tufão onde não haverá nada para se segurar. Nesse momento, ou se deixa levar ou se caminha pro centro. A escolha é sua.
Deveríamos, todos, escrever em páginas lisas, sem linhas, sem pauta. Dar-nos o direito de escrever apenas onde pudéssemos desfrutar de um pouco de liberdade.
Não quero seguir até o horizonte, quero descer, escrever de lado, de cabeça pra baixo e porque não em círculos?
Gostaria de poder vencer as barreiras do tempo e costurar passado, futuro e presente. Mas insisto em numerar as páginas em que escrevo...